Home is where i want to be
Pick me up and turn me round
I feel numb - burn with a weak heart
(so i) guess i must be having fun
The less we say about it the better
Make it up as we go along
Feet on the ground
Head in the sky
It's ok i know nothing's wrong . . nothing
Hi yo i got plenty of time
Hi yoyou got light in your eyes
And you're standing here beside me
I love the passing of time
Never for money
Always for love
Cover up + say goodnight . . . say goodnight
Home - is where i want to be
But i guess i'm already there
I come home -she lifted up her wings
Guess that this must be the place
I can't tell one from another
Did i find you, or you find me?
There was a time before we were born
If someone asks, this where i'll be . . . where i'll be
Hi yo we drift in and out
Hi yo sing into my mouth
Out of all tose kinds of people
You got a face with a view
I'm just an animal looking for a home
Share the same space for a minute or two
And you love me till my heart stops
Love me till i'm dead
Eyes that light up, eyes look through you
Cover up the blank spots
Hit me on the head ah ooh
quando comecei este blogue era uma pessoa muito séria que queria escrever coisas igualmente sérias. e tentei, a sério que tentei. tentei escrever sobre crimes (!), política, leis, cinema e coisas que me pareciam importantes e respeitosas. ao menos nunca me aventurei a escrever sobre literatura (mas gostava). obrigada deus por esse esse rasgo de lucidez que me fez ter noção do ridículo. e então deambulei, deambulei muito tentando evitar-me, que é uma coisa em que me tornei especialista, e seguramente há muito tempo. tornei o blogue privado, depois impus-lhe um fim, depois tornei-o público outra vez, entre outras maldades. é uma frase batida mas não sou eu que volto ao blogue, ele é que me regressa. como uma praga ou uma doença crónica, não há nada que eu possa fazer para extinguir a coisa de uma vez por todas. quando percebi por fim que os meus amigos mais próximos gostavam de vir aqui ler-me de vez em quando e que a cada vez que o fazia lhes chegava, de facto, isso pareceu-me razão suficiente para continuar. aquelas 4 ou 5 pessoas que cá vêem sempre são (d)as mais importantes da minha vida e então deixei-me de merdas. escrevo sem agenda sobre "coisas" e pronto, embora admita que gostasse de ter uma e de preferência que fosse algo mais que as minhas urgências do momento. muita gente tem dito que a nossa relação com a memória tem muito de ficção e eu acredito piamente nisso. gosto de histórias - das factuais e das que fantasio - gosto de memórias e fantasmas e gosto de misturar tudo. e agora aqui vai uma confissão, uma mesmo boa para pôr numa daquelas correntes que consiste em fazer listas acerca de coisas aleatórias "que os leitores ainda não saibam acerca de nós". uma das coisas que mais aprecio num homem é que me conte histórias. e em não estando em face de um mostrengo, um punhado de boas histórias - e bem contadas - é coisa susceptível de me fazer apaixonar. tudo se me resume a isto, ouvir e contar estórias (mas também gosto de as viver. sim, sobretudo de as viver).
agora vejo-me cada vez mais com uma coisa "pessoal" em mãos (tão lindas estas categorizações) e tenho que render-me a esta inevitabilidade de escrever sobre mim, para mim, ainda que para os outros. não acho que o que escrevo seja de grande interesse para os outros (tirando os mimosos 4 ou 5 que têm nisto uma pseudo extensão da nossa amizade) e por isso é que não posso dizer que escreva exactamente "para eles". isto é uma escrita do ego, ainda que eu não o quisesse, mas quanto a isso nada a fazer. se não podes vencê-los junta-te a eles. e que bom que é terminar um texto destes assim de chofre com um sábio provérbio português deste calibre.
e para isto ser mesmo bom ainda junto uma fotografia a preto e branco que tirei no outro dia à rua e ao céu.
Quatro horas da tarde em Amesterdão e o meu jardim já não tem sol. Porca miséria.
Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
acho que já andava cansada de lá trabalhar e por isso sempre um humor de cão se apoderava de mim. todos sabem que se assim estou é deixar-me até que a vida mude e eu com ela, ou o contrário. não sorria, já não queria saber. achava tudo e todos ridículos, desinteressantes, suspirava com novas paragens, novos nomes e cheiros. tudo me aborrecia, até o cinema. mas depois há sempre uma cara nova que regressa, uma revigorada conversa, qualquer súbita inspiração. nesse dia foi esta cena que me trouxe de volta à vida. não quero casar-me mas claro, nos meus sonhos, caso neste vestido (e com alguma sorte nasço a mesma pessoa mas no corpo desta mulher).
a keisha diz que adora ouvir-me rir sempre que falamos ao telefone. "that's the ana i like to hear" -que não me ouve rir assim em mais situação nenhuma, que adora ouvir aquela gargalhada que vem mesmo dos fígados, e repete isto amiúde como se no fundo quisesse dizer "és mais real quando estás com ele" e sinto-lhe um fascínio na voz, como se estivesse diante de qualquer coisa que ela ainda não conhece mas fareja grandiosa.
e é porque contigo me sinto comigo, não receio nada, nem a estupidez nem o ridículo. livre, livre, LIVRE. minto: sinto-me ainda mais livre.
e então eu falo, falo muito, falo sempre, literalmente deixo a mente falar. e deus sabe quão difícil é fazer isso. descoordenada, excessiva, ilógica, gozona, e com frequência abolutamente divertida. e tu aceitas tudo isso sem nunca me tomar por uma das partes, sem nunca me querer domar, sem nunca me colares um nome qualquer. no fundo o que pareces querer mesmo é que eu seja eu, quanto mais melhor. ninguém se ri das minhas piadas como tu, tirando eu própria. e assim salvas-me daquela linda situação que é gargalhar sózinha no meio de pessoas que me olham espantadas e curiosas, sem perceber raio.
antes mesmo de nos reencontrarmos já estamos a rir. rio só de olhar para ti e não é que sejas cómico, que também és. é que puxas de mim a infância que não houve, o humor que nasce do simples facto de existir. os teus olhos a deixarem-me sair, a puxarem-me completamente para fora. e que bom que é estar fora e simultaneamente tão, mas tão dentro.
Mais precisamente 2ª feira da semana passada. Bebemos cerveja num dos segredos mais bem guardados de Amesterdão, o café Monumentje, que tem café e cervejas excelentes e surpreendentemente baratos. As Hortênsias da primeira foto levei-as à Dely - a pessoa que cozinha as coisas mais exóticas e apuradas que já experimentei na vida. Já tinha dito que a minha gratidão a quem me alimenta é eterna?
Jantámos em casa do Ale. Pelo aspecto vê-se logo que aquela mixórdia foi feita por mim - legumes e salsichas de soja no forno com batatas e queijo gratinado (e salada de pimento vermelho). E comigo funciona sempre assim: se o aspecto fôr abandalhado, o sabor está bom.
Saquei estas imagens com a minha mais recente Nikon que, claro, ainda não sei usar e então fotografo com efeitos porque assim funciona sempre. Com a máquina nova, como com outras coisas - baby steps.
Comecei por dançar flamenco. Depois formei-me em teatro. Trabalhei profissionalmente em teatro mas também em cinema e em sushi (não sem ter experimentado o call-center). Tirei um curso profissional de jornalismo. Ultimamente tenho-me dedicado à moda. Vivi e trabalhei em vários cantos do país e agora vivo fora dele (I amsterdam). Dos mil-e-um-interesses, vou-me focando a par e passo no que mais me realiza (embora goste de me perder por aí). "Os de sempre" continuarão a acompanhar-me nesta jornada e, quiçá, companheiros novos também. Este blogue serve-me para arrumar a cabeça e comunicar com pessoas de quem gosto.
[Se quiserem contactar-me, podem fazê-lo para este e-mail:
Parecendo que não isto dá-me trabalho. Peço o respeito que se deve quando se está em casa alheia. O blogue é público mas por paradoxal que seja, é íntimo, e é meu. Por isso os meus posts podem ser reproduzidos mas sempre com o respectivo link. Obrigada.